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Uma garota normal. Amigos, baladas, bebida e homens. Aliás, homens era o que mais a interessava, toda semana com um diferente, quando não eram vários em uma só.
Os fins de semana eram todos iguais, muitas festas, álcool e por aí vai. Os homens não conseguiam resistir a ela, estavam sempre aos seus pés, e ela? Ah! Ela não queria nem saber dos falsos sentimentos deles. Estava sempre pensando que eles só queriam sexo e curtição, como se ela fosse muito diferente de todos eles. Ela não conseguia se apegar a ninguém, não conseguia gostar de ninguém. Ela era má, muito má.
Chegou o fim de semana, os dias de libertação. Saiu para encontrar os amigos, “festa estranha com gente esquisita”, como diria Renato Russo, ali não estava legal. Vou embora! Ela pensou. Antes do primeiro passo alguém se aproximou, era ele. Ele! O cara que ia simplesmente fazê-la sofrer. O que todos os homens que passou por sua vida sofreu. Oi! Foi o que ela conseguiu dizer, e ele da mesma forma se apresentou com um “oi” bem interessado. A noite terminou muito bem para os dois que acordaram juntos.
A transa daquela noite ficou na cabeça dela durante semanas, até quando resolveu ligar para marcar um novo encontro. Chamou, chamou, atendeu! Ele atendeu! E o melhor de tudo, aceitou o convite. Mas espera um pouco… Ela convidando alguém? Estranho, os homens que sempre correram atrás dela. Há algo errado, e isso a fez pensar. Ah meu Deus! Ela está apaixonada! E por alguém que ela mal conhece. Vou investir, ela pensou.
Saíram novamente, e ele lhe parecia tudo que ela sempre quis. Se divertiram, beberam e a noite acabou em um motel, do jeitinho que ela gosta. Tudo estava perfeito. Passado dias, tudo na mesma , quando ela percebeu , estavam namorando.
Começaram bem, sem brigas, cada um respeitando o espaço do outro, mas ela estava diferente, não queria mais sair se não fosse com ele, como se não existisse se não fosse por ele. As coisas começaram a sair do controle, ela já não podia conter aquele sentimento, ela passava a maior parte do tempo pensando nele. Já não vivia sua própria vida. E ele… Ah! Quase nada tinha mudado, a não ser, que agora ele tinha uma chata ligando o tempo todo, pra saber onde e com quem estava.
Aí está o ponto fraco de qualquer mulher, o homem que a trata com toda atenção não merece seu amor, já o que a despreza, esse sim é o alvo do amor verdadeiro.

Os amigos já tinham a abandonado, não tinha mais ninguém, só o namorado que estava sempre lá, de cara feia, mas elo menos estava. Se sentia só, pois não havia ninguém para conversar, e ao lado dele, eram só brigas.
Um dia desses, num fim de semana qualquer, ela resolveu sair, ligou para todos os seus amigos da época de solteira, mas ninguém estava disponível, então ela foi sozinha mesmo. Chegou em um barzinho, que freqüentava sempre e quando entrou, deu de cara como namorado, que estava com uma moça suspeita em um clima mais suspeito ainda. Ela não se manifestou, apenasse escondeu para que os dois não a vissem. Papo vai , papo vem, e os dois se beijaram. Naquele momento ela perdeu o chão, o rumo, os sentidos. O que ele fez? Por que ele fez? Era só o que ela conseguia pensar. Na mesma hora. Veio a decepção, o ódio e no momento seguinte o desejo de vingança.
A partir daquele dia ela só pensava em uma coisa: fazer ele sofrer. E ela sabia que era muito boa nisso. E dali começou o show. Ela voltou a sair sozinha, beber sozinha, a viver sozinha! E estava muito bem daquele jeito. E ele, coitado! Não estava entendendo nada. Mudou tão rápido. Será por quê? Não parava de pensar nisso. Então ele começou a ficar mais esperto e resolveu adular. Porém se ele achava que aquilo ia mudar tão fácil assim, estava muito enganado. Ela queria sim, vê-lo sofrer muito.
O tempo foi passando e nada mudou. Ela voltou a ser quem ela era, porém tinha um chato ligando o tempo todo para saber com quem e onde ela estava. É… o mundo dá várias voltas e as pessoas precisam tomar cuidado com isso.
Ela o maltratava, sem dó e aquilo não a deixava nem um pouco encabulada. Ele estava cada vez pior, sem entender o motivo daquela mudança tão radical, afinal ele não sabia oq eu ela havia visto.
Algum tempo depois ele falou pra ela que não agüentava mais a situação que estava vivendo. Ela disse que tudo bem, que se importava mais. Aquilo o deixou muito mal. Bebeu muito, e foi pra casa dirigindo transtornado. Bateu o carro, não resistiu e faleceu a caminho do hospital.
E ela? Ah! Ela estava muito feliz, ele sofreu!

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